
Não há a intenção de desvelar o que me relampeja em átimos de segundos, e nem pretendo com a palavra render meu corpo ao alcance de todos. O que tomo por inspiração é tal como o ar que me invade o peito involuntariamente e que do mesmo modo imperceptível eu expulso. É ao resto do que me sobra no corpo, de maneira intrusa, que me dedico. Não com a perícia do hábil artesão antevendo já na matéria bruta os caminhos de seu ofício. O que me perpassa, o que exige de mim esforço, o que clama por verbo, não encontra razão no ato primeiro da criação, na imposição física de ser palavra e sentido no mundo. O que se dá é um processo escatológico, expulsão de fluidos. Não nomeio nem persigo o fundo conhecimento de tudo que por ventura me habita; procuro apenas livrar-me dos adornos do meu ser humilhadamente animal. Contesto veementemente o além do instinto, todo sobressalto, toda emoção intrusa. Eu escrevo como quem exorciza!
3 comentários:
sou sua fã.
Mila, você é uma fofa rs. Bem, esse texto aí é um excerto de uma idéia me ocorreu ano passado e que até agora não transformei no texto que quero. Como, porém, vem a calhar nessa retomada, está aí.
gosto do conceito do blog!
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